quarta-feira, 21 de junho de 2017

As alemãs também choram...

Ontem foi a festa de encerramento da quarta classe. Houve discursos, entrega de certificados, homenagem às mães voluntárias que ajudam o ano inteiro na escola, houve teatro, música instrumental e muitas cantorias. No fim os miúdos foram para a rua - felizmente tem estado uns dias fantásticos aqui na Alemanha - e depois de uma canção onde agradeceram aos professores por tudo o que aprenderam, à escola onde tanto brincaram e soltaram-se dezenas de balões coloridos no céu.

Depois dos flasches dos pais "paparazzi", dou-me conta que à minha volta, muitas mães choravam baba e ranho. Se calhar ainda não me caiu a ficha ou simplesmente fico feliz por ele ter terminado a Escola Primária e seguir em frente para o liceu, mas não faço disso um momento dramático. Fico muito feliz pelo meu filho e por todos, agradeço a todos os professores que foram sempre incansáveis connosco, agradeço a todos os pais que me ajudaram e a todos os miúdos que o acolheram sem olhar com desdém para o pequeno emigrante que pouco alemão percebia. Sou grata, eternamente grata pela paciência e pela ajuda e procurei retribuir essa gentileza de várias formas, fazendo programas giros e levando os miúdos todos para aqui e para ali ou fazendo lanches fantásticos nas tardes de jogos cá em casa.

Mas curioso é que os alemães são tidos como frios, mas no que toca aos filhos e aos momentos de saída e entrada nas escolas, são uns corações moles, mais do que os portugueses. Choram muito na festa de despedida da Creche, choram muitos entrada para a Escola Primária, choram muito na saída da Escola Primária. E provavelmente em Agosto quando houver a festa de entrada para o Liceu, vão chorar muito outra vez.

Não vou dizer que não é emocionante e que não fico com uma lágrima ao canto do olho porque estamos a despedir-nos de um espaço que foi "nosso" durante quatro anos e não sabemos o que nos espera na nova escola, mas daí a chorar baba e ranho... Ou então, se calhar ainda não me caiu o berlinde.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

"Adoro conhecer portugueses!"

Às vezes temos que ter alguma paciência para as pessoas que se cruzam connosco nesta vida e no dia da Prova de Bicicleta, essa foi uma das vezes. Estava eu muito bem à espera do próximo miúdo, para ver se fazia bem aquela parte do percurso, quando uma senhora de idade me pergunta o que estava eu ali a fazer com papel e caneta parada numa esquina. Os alemães também são cuscas, para quem não sabe.

Lá expliquei à senhora o que fazia, entretanto veio um miúdo, tirei os meus apontamentos e fiquei à espera do próximo. Ela pergunta-me se sou francesa (perguntam-me muitas vezes isso na Alemanha). Respondi que não, que sou portuguesa. Ai a mulher ia tendo um treco e só não me abraçou porque não me conhecia de parte alguma.

Seguiram-se as perguntas básicas, de onde eu era e eu disse que era de perto de Lisboa, ela exultou e disse que conhecia bem Lisboa, Sintra, Cascais e Alentejo e falou, falou, falou. Adora a nossa comida, a nossa cultura, as nossas cidades e adora os portugueses. Perguntou se havia portugueses por aqui, ao que respondi "Sim, somos mesmo muitos por aqui!" e ela muito séria pergunta-me "Onde se encontram? Quero conhecer mais portugueses! Adoro conhecer portugueses!"

Ok... Fiquemos por aqui está bem? Pois é, não temos sítio certo, andamos por aí, está a ver, por aí... Só me faltava agora fazer sala para uma alemã que só quer falar de Portugal e mais um bocadinho convida-se para a nossa casa para conhecer melhor Portugal, coisa muito natural nos alemães. E se nós por gentileza dissermos "Um dia tem que ir lá conhecer a minha terra" , esqueçam lá isso. Eles levam os convites muito a sério e não percebem que estamos a convidar para parecer bem, mas que no fundo não é bem isso que pretendemos! Vorsicht people!

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Prova para a Carta de Bicicleta na Alemanha.

Foi hoje e o meu filhote passou, ainda não sei bem como, porque os pais que ficaram distribuídos pelos pontos mais complicados do percurso foram uns cães, não perdoaram falhas nenhumas e insistem quando acham que a criança deve repetir. Salvou-lhe a pele o senhor Polícia que não achou as "pequenas infrações" graves e como tal, passou e vai receber em breve a Carta de Bicicleta para andar na Alemanha.

Eu por outro lado sou uma pacholas, dizia aos miúdos "Não te esqueças de fazer sinal à direita", "Trava! Tens que olhar para os peões. Dos dois lados da rua, sim?" ou "Atenção aos carros, espera, espera... Ok. Faz sinal e podes seguir!". Só marquei mesmo como infracção, quando era mesmo grave e mesmo assim ainda perdoei dois amigos do meu filho, afinal eram amigos e tal, a gente fecha os olhos. Mas fiquei surpreendida na reunião dos pais voluntários e da Polícia, que se seguiu ao percurso, quando o pai de um dos melhores amigos do meu filho, disse alguns erros por ele cometidos. Só me deu vontade de dizer "Oh homem, está mas é calado! O teu filho é uma nódoa a andar de bicicleta, tás para aí a mandar bitaques quando ainda por cima sabes o que o meu filho pouco anda na estrada."

A verdade é que os miúdos andam muito nos trilhos dos parques e acompanhados dos pais, pelo que fazer uma prova de bicicleta na estrada, com transito, semáforos e rotundas, foi certamente um bocadinho assustador para eles. Apesar de tudo, a maioria passou e os que não passaram vão ter oportunidade de repetir exame na próxima semana.

Carta de Bicicleta. Check. O meu filhote ficou tão feliz e inchado de orgulho! Não lhe disse que foi por pouco, escusa de saber, só lhe ia roubar a felicidade devida. Passou, está passado e isso é que importa. Que goze o momento.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Junho é o meu mês do diabo na Alemanha!

Junho é quase sempre o meu pior mês no ano inteiro na Alemanha. Sei que parece estranho, mas é nesta altura que a Primavera se faz verdadeiramente sentir e para mim que tenho alergia ao pólen das flores das árvores é uma verdadeira alegria quando vejo a esvoaçar pelo ar, tal fadas fofas e leves, aquelas odientas flores das árvores. Sorry, detesto-as.

Depois há as marcações normais, cortar o cabelo antes das férias em Portugal, aniversários de amigos, despedidas de amigos (uns vão mudar-se para sul da Alemanha e outros ara China, é assim a vida) e temos as festas "extra", pelo menos duas organizadas pelos colegas dos meus filhos, porque sim, porque gostam de festejar com os amigos e aproxima-se o fim de um ciclo na vida deles, depois há a festa na escola de manhã com teatro e a festa dos pais com os alunos/filhos no Domingo à tarde (nos primeiros anos de escola a Diretora da escola deixava fazer patuscadas no recreio das aulas, a nova nem por isso, paciência). 

Ainda tenho almoços e lanches para fazer de agradecimento aos nossos amigos portugueses por nos terem ajudado na mudança de casa e ainda andamos às voltas com organizações e arrumações. A nossa arrecadação está que não cabe uma palha e ainda vou hoje tentar enfiar lá um saco. Tenho vendido algumas coisas no Ebay, não ao ritmo que eu desejava, mas vai dando para gerir melhor o espaço. Na última semana andámos a instalar candeeiros na casa de banho e agora tenho uma estante enorme na despensa para me organizar melhor (não sei quando). 

Há três fins de semana que não paramos em casa e já andamos meio grogues, porque saltamos de umas festas para outras em dias seguidos.
Hoje vou levar o miúdo a uma festa de anos no centro da cidade, o que não dá muito jeito, fazer compras de supermercado, ir busca-lo, receber uma amiga para jantar. Amanhã fazer bolinhos para o meu filho levar a uma festa organizada só pelos amigos (com o apoio dos pais de uma menina que cederam a casa para a ramboiada), tenho jantar de despedida de um casal amigo que vão viver para a China por uns tempos e no Domingo há rave cá em casa para mais amigos nossos.

Acho que quando tudo acabar, as festas de aniversário, os almoços, os jantares, os lanches, a cabeleireira  a prova de bicicleta, os testes na escola, os agradecimentos, as arrumações... já estou com um pé em Portugal. 

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Berlin, sempre Berlin.

Berlin sabe sempre a pouco, mas sabe sempre bem. Desta vez fomos por pouco tempo e tivemos muita sorte, estava um dia espectacular e o ambiente muito animado cheio de turistas e adeptos de futebol para ver o jogo de futebol da final da Taça na Alemanha.

Quisemos mostrar Berlin pela primeira vez ao nosso filho que apesar de não curtir muito viagens, gostou muito. Quando ele diz "Esta é a cidade que eu gosto mais.", é quando percebemos que ele gostou mesmo. As Portas de Brandemburgo (diz-se Portão mas eu prefiro chamar-lhe Portas) são para mim inspiradoras, adoro lá ir e ficar simplesmente a olhar para elas. A praça está magnifica, tudo novinho em folha e nem parece a mesma praça que conheci à nove anos, mais velha e cheia de lojinhas de "Recuerdos". Querem recordações? Um bocadinho mais abaixo, depois do fabuloso Hotel Adlon têm lojas com fartura. Nas portas de Brandemburgo há apenas uma lojinha oficial, que por acaso não entrei, tal não eram os tapumes que infelizmente tapavam parte das Portas. É que ia ter lugar no dia seguinte um concerto e o palco estava a ser montado e testado. Uma pena, não fiquei com a foto das Portas de Brandemburgo "inteiras".







Mais à frente passámos apenas pelo Reichstag, que ainda não conheço por dentro e ainda não foi desta. O processo de entrada têm muitas normas de segurança, é necessário marcar online ou directamente uma visita, mas ficamos sempre sujeitos a confirmação. Também achei muitas diferenças, já não existe uma fila gigante para entrar, agora temos que esperar para entrar num pequeno pré-fabricado para preencher documentos, saber quando podemos visitar, depois temos que ser inspecionados e só se entra em grupo para uma visita de mais ou menos uma hora. 

Também já não é possível andar a passear nas imensa escadaria e tirar uma foto aqui ou acolá, porque o espaço está todo ele vedado. É isto que o terrorismo nos faz, dizemos que não temos medo, mas sentimo-nos obrigados a proteger as pessoas e os sítios mais emblemáticos e isso tira a beleza das coisas. Faz-nos pensar que estamos num sítio fantástico e que algo pode acontecer. Não tínhamos tempo para nos dedicar só à espera da visita para o Reichstag, pelo que ficou prometido que da próxima vez iremos lá.






Dali fomos almoçar à Potsdammer Platz, adorei este espaço desde a primeira vez que o conheci. À primeira vista não tem nada de especial, são edifícios muito altos, todos envidraçados com escritórios, o Cinema Max, a Legoland e outras lojas. No meio dos prédios gigantes está uma pequena praça com restaurantes, cafés e geladarias. O espaço é super aprazível com um lago no meio e cheio de verde, mas desta vez, estavam a fazer uma mega publicidade ao filme Baywatch e encheram o espaço com areia da praia, colocaram uma casa der madeira onde os nadadores salvadores estão e cadeiras de praia, um carrinho de gelados e parte do lago só para dar a ilusão de mar, nada de entrar lá para dentro por favor. Ah, e um DJ para pôr música a condizer com o filme, um ambiente espetacular portanto. O nosso filho estava mesmo a curtir a cena e a sentir prazer em explorar o espaço.






Por último optámos por um Museu mais interactivo, o Computerspielemuseum ou o Museu dos Jogos de Computador, que conta a evolução dos jogos de computador, onde fomos encontrar os primeiros videojogos e os primeiros computadores, a história dos mesmos, as máquinas de jogos com os famosos "come come" e o Tetris. A Playstation 1 e por aí fora, jogos que nunca vimos em Portugal, como um Joystick gigante por exemplo, mas que passaram pela Alemanha, ou se passaram eram só para alguns porque deviam ser caríssimos. Sabiam que Berlin foi a primeira cidade do mundo a receber um museu de jogos de computador? E nós já o vimos!

O ambiente dos jogos era de acordo com a decoração, haviam pequenas "salinhas" decoradas com motivos dos anos 80, com posteres dos filmes mais emblemáticos, gira-discos na prateleira e cassetes VHS. Adorámos! Só teve um inconveniente: não tinha ar condicionado e como estava um dia de calor, o Museu parecia uma estufa, principalmente na sala de jogos onde as máquinas estavam todas ligadas e estávamos muito juntos uns aos outros, mais não seja uma pessoa a jogar e a família ou os amigos à volta a ver. Tão giro ver onde chegámos, apesar de nos lembrarmos perfeitamente de tudo, porque os computadores apareceram quando éramos adolescentes, não deixámos de dizer frases como:"Olha, o meu primeiro computador, o Amiga!", "Eh que fixe, tive um destes, um Spectrum!", "Já viste filho, como é que o pai e a mãe jogavam com os amigos? Era numa sala assim cheia de máquinas de jogos e tínhamos que pôr moedinhas!". Olha isto, olha aquilo, passámos a visita toda nisto. O museu é pequeno mas serviu para relembrar muita coisa e mostrar ao nosso filho a evolução dos jogos que ele joga hoje em casa. Os miúdos têm dificuldade e é normal que assim seja, em perceber que os pais não tiveram nada do que eles têm para se divertirem.










Para a próxima ficou já decidido uma estadia para vermos outras atrações, porque Berlin deixa-nos sempre com vontade de voltar. Há muito mas mesmo muito para ver, por isso programas em Berlim não faltam!

terça-feira, 30 de maio de 2017

Aulas de português para os filhos dos emigrantes na Alemanha.

Quando decidimos vir viver para a Alemanha, tivemos sempre a ideia do nosso filho um dia mais tarde frequentar um curso de português, até porque uma coisa é falar e outra muito diferente é saber escrever e ler correctamente o português. 

Na altura sabíamos que haviam aulas em Hannover que fica sensivelmente a 40 minutos da nossa casa, mas lá pensámos que se fosse a um Sábado até se fazia bem. Há dois anos e devido ao esforço de alguns pais portugueses (um deles nosso amigo), conseguiu-se mobilizar um professor para vir à cidade onde vivemos dar aulas de Português. Reuniu-se um mínimo de doze alunos e a partir daí foi um sucesso, começaram cada vez mais pais portugueses a inscreverem os miúdos e a iniciativa é um sucesso.

Na altura aplaudimos a ideia mas optámos por não inscrever o nosso filho, porque ele ainda se debatia muito com o alemão, que para além de ter um alfabeto diferente também é pronunciado de forma diferente do português. E o que pensámos nós? Era melhor ele aprender e consolidar o alemão e mais tarde aprender o português, do que absorver tudo ao mesmo tempo baralhando-se na pronúncia das duas línguas. E assim foi, esta é a altura certa. Ele já consolidou o alemão, lê pequenas frases em português e tem curiosidade de saber mais.

Pedimos então ao nosso amigo, os contactos e informações sobre o funcionamento das aulas e foi tudo muito simples, excepto quando o meu GPS se embananou e não consegui dar com a escola da primeira vez que lá fui... As aulas de português são apoiadas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros através do "Camões - Instituto da Cooperação e da Língua". O contacto e as inscrições passam pela Embaixada de Portugal em Berlin através da Coordenação de Ensino na Alemanha ou podem simplesmente fazer como eu, descarregar o download da ficha de inscrição e falar directamente com a professora, que por sua vez foi muito simpática e acessível, explicando-me como funcionavam as aulas para alunos de diferentes idades e dificuldades. 

Devo dizer que não é fácil, há alunos que são filhos de portugueses mas os pais sempre falaram com eles em alemão para que pudessem se integrar melhor na escola (e são mesmo muitos) e há alunos que sabem falar português mas que não sabem escrever ou ler correctamente (o caso do meu). São duas horas a trabalhar em grupo, onde muitas vezes (e por inerência das diferentes dificuldades) cada mesa tem um trabalho diferente da outra que está ao lado. Uns treinam mais a escrita, outros a leitura e outros tem de começar do início porque percebem muito mas não sabem falar, uma vez que em casa falam em alemão. 

Segundo as opiniões dos pais nossos amigos, estas aulas têm feito maravilhas pelos putos porque percebem que não estão sozinhos, que há muitos portugueses como eles com as mesmas dificuldades, e por isso mesmo a aprendizagem é feita com gosto, sem o medo de errar ou ser gozado pela sua pronúncia. Todos os anos existem exames que comprovam o grau de conhecimento do aluno e lhe atribuem um certificado em português que é válido na Alemanha como uma língua extra.

E o pagamento? Uma agradável surpresa. O custo pela propina anual é de 100 euros e cobre aulas e livros. Obrigada ao Ministério dos Negócios Estrangeiros por este apoio aos filhos dos emigrantes, que não só vão falar melhor a sua língua natal, como vão ter orgulho em fazê-lo bem. A aplicação da propina tem também em consideração, algumas situações especiais (no plano sócio económico), que merecem um tratamento individualizado e proporcionam às famílias carenciadas um pagamento inferior, caso a mesma seja comprovada.

Isto tem tudo para ser uma experiência muito gira, com novos amigos portugueses, exercitar o gosto por saber ler e escrever a língua que fala em casa e no final do ano lectivo uma festa (já me explicaram tudo) onde terá lugar um teatrinho com todos os alunos a participarem "em português". Muito bom.